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Segundo filho do casal João Pires e Maria Abadia, Alexandre Pires traz nas veias o gene da musicalidade. Basta dizer que por duas décadas, seu João e dona Maria fizeram parte de uma banda que sacodia os salões de baile não só em Uberlândia, onde Alexandre veio ao mundo (em 8 de janeiro de 1976), mas também por todas as redondezas daquelas Minas Gerais. Com pai baterista e mãe vocalista, vá lá, o destino mal deixaria outra alternativa ao garoto. Aos 13 anos, incentivado pelo pai, começou a aprender a tocar cavaquinho. Nota vai, nota vem, logo executaria com maestria seu primeiro samba: Só Pra Contrariar, gravado à época pelo grupo Fundo de Quintal. Lá está a inspiração para o batismo do grupo que seria responsável pelo boom do pagode na década de 90, liderado, bingo,  por Alexandre Pires, que então dividia a cena com o irmão Fernando e o primo, Juliano.

Não demorou para que as apresentações daquele time em Uberlândia rendessem a gravação do primeiro disco, em 1993: Que Se Chama Amor,  música que dava nome ao álbum, além de A Barata e Domingo tornaram-se febre nas rádios de norte a sul. Vieram mais seis discos, todos de sucesso, e 10 milhões de cópias vendidas. A fama das canções Depois do Prazer e Mineirinho, lançadas no Brasil em 1997, levou o SPC a gravar um álbum em espanhol, que emplacou nada menos do que 700 mil cópias em países hispânicos.

A carreira internacional começou então a se desenhar em Mônaco, onde Alexandre e SPC receberam das mãos do Príncipe Albert o prêmio World Music Awards, pela venda de mais de 3 milhões de cópias daquele mesmo álbum de 1997, intitulado apenas SPC. Simples assim. Na esteira de tamanha cotação veio o convite de Gloria Estefan para que Alexandre gravasse um single com a música Santo Santo, dueto com a cantora, devidamente contemplado com uma indicação ao Grammy Latino em 1999.

Mesmo em turnê com o SPC, em 2001, Alexandre levou às lojas seu primeiro álbum solo em espanhol, É Por Amor, que depois ganhou versão em português. Produzido por Emílio Estefan e dirigido ao público internacional,  o trabalho apresentava um Alexandre pronto para entoar outro estilo, com predominância de baladas românticas. A música Usted Se Me Llevó La Vida ganhou vaga na trilha sonora da novela Porto dos Milagres (Globo, faixa nobre) e o consagrou como o mais novo intérprete nacional de sucesso. Já sem condições de acompanhar todos os compromissos do grupo, o cantor deixou o SPC em 2002, depois de uma apresentação para mais de 14 mil pessoas em Nova York. No histórico do Só Pra Contrariar, Alexandre deixou seu nome em 7 álbuns em português e 2 em espanhol.

A boa produção do primeiro álbum solo lhe rendeu, já em 2002, um Grammy na categoria “Engenharia de Som” e o reconhecimento da revista Billboard, com o prêmio de “Melhor Artista do Ano” no Latin Music Awards, ainda em 2001. No mesmo ano, lançou Minha Vida Minha Música, projeto da BMG que trouxe participações especiais e depoimentos de um seleto time de artistas.

Veio o ano de 2003 e, com ele, o terceiro disco de Alexandre, Estrella Guia, com versão em espanhol para os países latino-americanos e Europa. O álbum contou com as participações de Alejandro Sanz em Solo Que Me Falta e de Rosário Flores em Inseguridad, que lhe rendeu duas indicações ao Grammy. Pouco depois, o mineirinho apareceria na Casa Branca, como convidado do presidente dos Estados Unidos. A  George W. Bush, cantou Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, em bom português, por ocasião da comemoração do mês da Descendência  Hispânica em terras de Tio Sam.

Alvo de apostas da indústria fonográfica nos EUA, Alexandre ganhou lá uma tiragem especial de Estrela Guia, acompanhada de um DVD com os videoclipes já gravados por ele.

De volta ao Brasil, lançou Alto-Falante, em 2004, disposto a expor seu pensamento e a desfilar um repertório quase totalmente  autoral. A exceção é a música inédita de Jorge Vercilo, O Que Você Fez, em rhythm and blues americano. Gravado no estúdio do artista, em Uberlândia, o álbum contou com as participações de Fat Family, Sampa Crew, Netinho de Paula e a dupla Caju & Castanha. Enquanto isso, o mercado internacional conhecia Alma Brasilera,  seleção de sucessos de vários artistas nacionais, que ganham harmoniosas versões em espanhol na voz de Alexandre.

Em 2005, Alexandre apresenta o disco Meu Samba. Com produção de Cláudio Rosa, o trabalho marca o retorno do cantor às raízes do samba. Sexto CD da carreira solo, o álbum promove a fama de Tira Ela de Mim, Apelo e Eva Meu Amor entre as mais tocadas de todo o Brasil. No mesmo ano, Alexandre é agraciado com o Troféu Raça Negra como “Melhor Cantor, no Dia Nacional da Consciência Negra.

Mais um álbum nasceu em 2007, dessa vez visando o mercado internacional e consumando a realização de um grande sonho: gravar um disco só com canções de Julio Iglesias, bem intitulado como A un idolo.

Foi em 2008, no entanto, que um sonho ainda maior se tornaria vida real. Com saudades de casa e o desejo de resgatar suas raízes no samba romântico, Alexandre volta ao Brasil para gravar, em 8 de janeiro, dia de seu aniversário e em sua cidade natal, o DVD Em Casa, edição totalmente voltada ao público brasileiro. O trabalho mereceu um apanhado de toda a sua carreira, desde os idos do Só Pra Contrariar, incluindo novos hits como Pode Chorar, Delírios de Amor e Dessa Vez Eu Me Rendo. Ivete Sangalo, Daniel, Alcione e Perlla, mais os cantores angolanos Yolá Araújo e Anselmo Ralph, estampam ali seus créditos, à altura do que se pode chamar de participações muito especiais. Revertido em CD, o álbum vendeu 400 mil cópias.

Em 2010, Alexandre apresenta Mais Além, um CD de composições inéditas, donde brotam outros sucesso, caso de Eu Sou o Samba, com participação de Seu Jorge, e das baladas Quem é Você e Erro Meu. Canções como Você e Se Quer Saber e Sissi ficaram por meses entre as mais pedidas dos ouvintes de rádios de todo o país. O álbum, lançado também em CD, atingiu a marca de 250 mil cópias vendidas. E tão promissora foi sua carreira, que dali nasceu o CD/DVD ao vivo Mais Além – Ao Vivo.

Em 2012, com maturidade, fama e competência plena de musicalidade, Alexandre Pires grava o DVD Eletro-Samba, coroado com a participação de artistas que conspiraram muito a favor da brilhante trajetória do bom mineiro. Convidada de honra,  Xuxa Meneghel pela primeira vez tomou parte de um DVD que não era o seu próprio, ao interpretar Arco-Íris, bem escoltada pelo anfitrião. O show se estendeu aos domínios das grandes musas brasileiras. Vide Cláudia Leitte, com quem Alexandre faz dueto em Minha Solução. E Sabrina Sato, que relembrou seus dotes de bailarina ao som de Eu Vou Pra Cima, que o cantor entoou com o irmão e primeiro parceiro musical, Fernando Pires. Para superar todos os patamares de todos os tempos no histórico do cantor, comoção em estado absoluto, Alexandre dividiu o palco com a mãe, Abadia Pires, musa e criadora maior de seus dons, em Sonhei e Acordei .

Sem mais, só lhe resta uma palavra: amém.

Premiações internacionais:

  • World Music Awards – “The Best Selling Artist” – Mônaco/98
  • Prêmio Gardel – “Mejor Grupo Pop Latino” – Argentina/99
  • Prêmio Amigos – Espanha/99
  • Prêmio Ondas – Espanha/99
  • Tu Musica – Porto Rico/2001/2002
  • Grammy – Engenharia de som/2002
  • Billboard Latin Music Awards – Melhor Artista do Ano/2002/2003
  • Tocha de Prata – Festival Viña Del Mar – Chile
  • Tocha de Ouro -  Festival Viña Del Mar – Chile
  • Gaivota de Prata – Festival Viña Del Mar – Chile